terça-feira, 17 de novembro de 2009

Turma Da Mônica nojo-vem



Ontem, depois de uma relutância gigante, resolvi parar pra ler a tal da "Turma da Mônica Jovem". Confesso que antes mesmo de começar, já sentia uma certa repulsa ao observar as ilustrações, e isso se dava por um único motivo: todos os personagens estão bonitos. Já era o suficiente pra eu sentir uma raiva quase que pessoal com a nova saga da turminha.

Maurício de Souza esteve em Belém no último fim de semana e, não fosse o Se Rasgum ter me destruído tanto, certeza absoluta que eu estaria lá na filinha da "Feira do livro 2009", dentre tantos outros que queriam um autógrafo do escritor. Quase fui, mas meu corpo não permitia qualquer tipo de deslocamento "casa x rua", pelo menos não durante a parte da manhã e da tarde. Cheguei até a procurar alguma revistinha por aqui (no meio das minhas mais de 200) pra ganhar a cobiçada assinatura. Só então lembrei que, quando criança, me satisfazia travestindo minhas barbies, meus livros, minhas irmãs, a mim mesma... Sim, é verdade, não encontrei nenhum gibi em que a Turma não estivesse maquiada, então pensei que o Maurício não gostaria de ver o Cebolinha de batom. Desisti.

Li ontem. Eles cresceram, me doeu ver isso. Tá, vou começar com meu melo-drama, mas caramba, por que eles se tornaram tão fúteis? Senti uma ânsia de vômito quando logo no início, o Cebolinha (que agora é só "Cebola") chegava "Tudo bem com você, Mô?". Cebolinha e Mônica agora "flertam". Cadê as brigas? Cadê o Cebolinha que não fala os erres? O Cascão tomou banho, afinal? E a Magali que virou natureba? E POR QUE, MEU DEUS, A MÔNICA FICOU GOSTOSA? Não bastasse tudo isso, as grandes sacadas, as piadas inteligentes, foi tudo pro espaço. Agora a gente vê um texto pobre, besta, feito pra gente burra. Sério, eu odeio ler algo e perceber que estão subestimando minha inteligência. Parece que tão me tratando como uma menina de 11 anos, me sinto uma retardada. Odeio texto imbecil, no sentido literal da palavra.

Fechando a revista, senti uma enorme saudade dos gibis antigos. De como era ambíguo o que eles falavam e te faziam pensar de alguma forma. Pensei em todos os momentos da minha infância/adolescência lendo "A Turma da Mônica", momentos marcantes, emocionantes. A vinda da minha primeira menstruação, por exemplo. Eu estava lendo, quando descobri. As vezes em que brigava com a minha mãe e saía correndo pro quarto chorando e bastava ler uma das revistinhas pra ficar tudo bem. Sem contar as inúmeras vezes que eu as levava pro banheiro e tornava o ato de defecar prazeroso e longo. Afinal, quem nunca cagou lendo Maurício de Souza?

Nojinho daquela revistinha (como vocês devem estar tendo deste texto). Muito. Eles deveriam ter ficado daquele tamanho que estavam, afinal, o que passa pela cabeça desses roteiristas? Que todo mundo é mais legal na infância, que quando cresce vira bobo e inútil? E enquanto reclamava sozinha de tudo isso, me toquei de um detalhe: por que não fui lá pegar o autógrafo com o Maurício, mesmo? Porque meu corpo não me permitia pelo cansaço. E qual o porquê do cansaço? Festa. É, eu cresci. Se fosse em outros tempos, jamais eu trocaria essa oportunidade de conhecer um dos meus escritores preferidos por causa de farra, bebida e amigos. Cresci e me fez mal lembrar isso.

Vai ver que quanto mais a gente cresce, maior é a regressão. Mas pelo menos eu podia ter ficado gatona como a Mônica, pô.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Não me venha com seu amor

Aqueles que me conhecem bem, sabem da minha dificuldade para executar um "eu te amo". Tenho o costume de deixar as pessoas "no vácuo" quando me vêm com uma dessas. Não sei responder um "eu também" quando não sinto. Não dá. Não consigo. E o pior, sempre me dá vontade de gargalhar, mas isso já é coisa minha.

Mas porque eu não sinto é a questão. Eu não sinto porque não acredito. Não, acalmem-se ao me recriminar ou achar que sou uma amargurada, não é nada disso (não agora, ao menos). Eu não acredito nesse amor aí. Nesse aí que vocês dizem que é o tal do sentimento sublime capaz de mover mundos. Nesse que é o único que salvaria a humanidade, esse que define que chegaste ao teu ápice emocional. Não, não acredito. Não acredito que o amor seja isso. Na verdade, não acredito que só amor seja isso, o que é uma questão meramente lingüística.

Percebo que humanos precisam de idealizações para ter em que se apoiar. O mais engraçado é que, ocultamente, dentro do eu de cada um, todos sabem que é uma grande hipocrisia pensar que existe algum sentimento tão grandioso que curaria as dores do mundo. Não, não existe. Humanos são cruéis demais e sem salvação.

Eu creio, sim, em gostar extremamente de algo ou alguém. É comum se identificar com o que convém, seja qual for o motivo para isso. E creio em sentimento verdadeiro e mútuo. Só não acho que "gostar" e "amar" tenham alguma diferença, acho, sinceramente, que é só nomenclatura.. Como já citei, só destacaram o "amor" pra ter algum refúgio em toda essa mentira que é o ser.

Se não respondo um "eu também" pra alguém, é porque eu não a amo, não gosto dela, nada. Ou eu amo ou eu nao amo. Ou eu gosto ou eu não gosto. Portanto, se algum dia eu lhe falar um "eu gosto de ti", pode ter certeza que dentro da minha cabecinha vai ser como um "eu te amo" e vice-versa. Na França é assim, sabiam? O tal "je t'aime" significa as duas coisas. E em muitos outros países.

Eu posso até mesmo me questionar por que não falo tanto "eu te amo" quanto falo "eu gosto de ti" pra certas pessoas. E sabem por quê? Porque com essa coisa toda de "amor", "amado", "amantes", toda essa prostituição de vocábulos, prefiro pronunciar o que me soa mais verdadeiro. E pra mim, um "eu gosto de ti" inesperado é muito mais importante do que um "eu te amo" diário. O fato é, todo esse papo de amor me dá um pouco de nojo. Culpa dos humanos que fazem questão de estragar tudo.


No final, é apenas estética da linguagem. Bom mesmo é não falar porra nenhuma e receber um olhar cheio de todas as palavras do mundo, por mais brega que isso possa parecer.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

"Eu tecerei uns sonhos irreais..."




E lá me vêm os sonhos de novo. Dessa vez, era uma multidão, eu e ele. Dentre esse aglomerado de pessoas, alguns rostos destacavam-se e, incrivelmente, eu não sentia raiva, não lá, dentro do sonho. Eu sentia angústia, o que é bem diferente. Estávamos nós, eu e ele, de mãos dadas fugindo. Ele se colocava na minha frente e me puxava, quase chegando a machucar, tentando me tirar dali, tentando nos tirar. O sonho era apenas isso: nós dois fugindo da multidão.

Acordei sentindo pavor. Respirei fundo e fui tentar analisar (o que não teve muito sucesso, claro, e resultou num post aqui), observando assiduamente os detalhes todos e, quanto mais pensava, mais uma mistura de emoções se unia sobre meu corpo, como se todas elas pulassem por cima de mim ao mesmo tempo.

Esperei um pouco para continuar este texto e ver se, quem sabe mais tarde, a sensação mudaria. Não, não mudou. Continuou a aflição. Tentei pensar, então, sobre minha atual condição. Não sou mal-amada e procuro não demonstrar uma frustração submissa, nunca. Não ando nos meus melhores períodos, o que não quer dizer que eu vou transformar minha vida em um rodeio de dores inúteis e minhas palavras num confissionário infantil. Não, não é isso. E não me levem a mal por enrolar tanto, mas é que, vejam bem, eu não fugia sozinha. Eu fugia com ELE. Isso era o estranho, porque claramente eu deveria correr, correr sozinha.

Eu não corria, andava rápido. Não sentia rancor, sentia medo. Ele sentia, ainda assim tentava me proteger. A gente ia fugir de tudo isso que nos prende a toda essa merda privada a nós mesmos, esse tal de egocentrismo que insiste em apontar o dedo nas nossas caras, insinuando um "Vocês são menores, bem menores". E conseguíamos ignorar os tais "rostos destacados". E ele me pedia pra fechar os olhos. Ele procurava a saída, ele quem procurava, não eu. Sentia-me apavorada, mas feliz. Era ele quem tentava me proteger. Ele quem tentava nos livrar. Ele quem se esforçava. Era ele. Não eu. Atípico.

Não consegui mais dormir e fiquei sufocada durante o resto da semana.


terça-feira, 29 de setembro de 2009

Dias antes de eu ir ao Uruguai, sonhei repetidamente o mesmo sonho. É uma historinha que contarei em breve a vocês. Na volta da viagem, esse sonho se fez real, acreditem. Senti uma euforia gigante, temor, fiquei pensando nisso durante dias mas depois passou. Era como se eu tivesse me livrado de algo.

Esta noite sonhei o mesmo sonho. Isso sim me deu medo. Concluí que "não me libertei" coisa nenhuma e que tá tudo voltando. Mas depois pensei comigo, eu posso estar interpretando toda essa repetição do mesmo sonho como eu quero e eu não tenho base alguma pra fazer isso, afinal não sou o (respira fundo, tira a cara de nojo e fala) senhor Freud. Preciso de análise. Já.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Ontem, na casa de um grande amigo, me dei conta de uma coisa. Assistíamos ao DVD do Blur e eu tava achando legal, de verdade. Concordava com tudo o que ele me falava quanto a qualidade do som da banda. E falei que gostava. Ele me perguntava sobre o título das músicas, eu não sabia responder nenhum. Até que respondi: -"Cara, Blur foi uma banda que eu adiei na minha vida."

De verdade, percebendo, tem tanta banda que eu acho legal mas não conheço, simplesmente porque "adiei" esse conhecimento, esse aprofundamento. O mais chato de tudo é perceber como eu faço isso em todos os aspectos. Inclusive com meus textos. Motivo? Espero que seja medo e não acomodação.


Bom, tratei de fazer dois textos hoje pra ver se curava o remorso.

sábado, 19 de setembro de 2009

Eu não quero sentir nojo até de você, não quero.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Hora de sair de cima do muro.