Maurício de Souza esteve em Belém no último fim de semana e, não fosse o Se Rasgum ter me destruído tanto, certeza absoluta que eu estaria lá na filinha da "Feira do livro 2009", dentre tantos outros que queriam um autógrafo do escritor. Quase fui, mas meu corpo não permitia qualquer tipo de deslocamento "casa x rua", pelo menos não durante a parte da manhã e da tarde. Cheguei até a procurar alguma revistinha por aqui (no meio das minhas mais de 200) pra ganhar a cobiçada assinatura. Só então lembrei que, quando criança, me satisfazia travestindo minhas barbies, meus livros, minhas irmãs, a mim mesma... Sim, é verdade, não encontrei nenhum gibi em que a Turma não estivesse maquiada, então pensei que o Maurício não gostaria de ver o Cebolinha de batom. Desisti.
Li ontem. Eles cresceram, me doeu ver isso. Tá, vou começar com meu melo-drama, mas caramba, por que eles se tornaram tão fúteis? Senti uma ânsia de vômito quando logo no início, o Cebolinha (que agora é só "Cebola") chegava "Tudo bem com você, Mô?". Cebolinha e Mônica agora "flertam". Cadê as brigas? Cadê o Cebolinha que não fala os erres? O Cascão tomou banho, afinal? E a Magali que virou natureba? E POR QUE, MEU DEUS, A MÔNICA FICOU GOSTOSA? Não bastasse tudo isso, as grandes sacadas, as piadas inteligentes, foi tudo pro espaço. Agora a gente vê um texto pobre, besta, feito pra gente burra. Sério, eu odeio ler algo e perceber que estão subestimando minha inteligência. Parece que tão me tratando como uma menina de 11 anos, me sinto uma retardada. Odeio texto imbecil, no sentido literal da palavra.
Fechando a revista, senti uma enorme saudade dos gibis antigos. De como era ambíguo o que eles falavam e te faziam pensar de alguma forma. Pensei em todos os momentos da minha infância/adolescência lendo "A Turma da Mônica", momentos marcantes, emocionantes. A vinda da minha primeira menstruação, por exemplo. Eu estava lendo, quando descobri. As vezes em que brigava com a minha mãe e saía correndo pro quarto chorando e bastava ler uma das revistinhas pra ficar tudo bem. Sem contar as inúmeras vezes que eu as levava pro banheiro e tornava o ato de defecar prazeroso e longo. Afinal, quem nunca cagou lendo Maurício de Souza?
Nojinho daquela revistinha (como vocês devem estar tendo deste texto). Muito. Eles deveriam ter ficado daquele tamanho que estavam, afinal, o que passa pela cabeça desses roteiristas? Que todo mundo é mais legal na infância, que quando cresce vira bobo e inútil? E enquanto reclamava sozinha de tudo isso, me toquei de um detalhe: por que não fui lá pegar o autógrafo com o Maurício, mesmo? Porque meu corpo não me permitia pelo cansaço. E qual o porquê do cansaço? Festa. É, eu cresci. Se fosse em outros tempos, jamais eu trocaria essa oportunidade de conhecer um dos meus escritores preferidos por causa de farra, bebida e amigos. Cresci e me fez mal lembrar isso.
Vai ver que quanto mais a gente cresce, maior é a regressão. Mas pelo menos eu podia ter ficado gatona como a Mônica, pô.


